Colega de motoristas mortos foi sequestrado e espancado por traficantes na véspera das execuções

O cabo Jorge Fernando foi torturado e morto no Chapadão
O cabo Jorge Fernando foi torturado e morto no Chapadão Foto: Foto álbum de família
Rafael Soares
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Na véspera das execuções de dois motoristas por traficantes da favela Final Feliz, no Complexo do Chapadão, Zona Norte do Rio, um outro taxista, colega da cooperativa de táxis onde a dupla trabalhava, foi colocado na mala de seu carro e levado ao tribunal do tráfico do morro. No topo da favela, o homem foi espancado e torturado por horas, até que sua mãe foi ao local interceder pela vida do filho.
O caso — que ocorreu no sábado, dia 30, e foi revelado por testemunhas a investigadores da Divisão de Homicídios (DH) — motivou a reunião entre motoristas e traficantes no dia seguinte, quando o cabo do Exército Jorge Fernando Souza, de 24 anos, e do ex-militar Cleiton Felipe Massena, de 22, foram mortos, acusados pelos bandidos de serem informantes da polícia. A suspeita do tráfico de que havia motoristas vazando informações da quadrilha, entretanto, começou na tarde do dia anterior, quando um dos traficantes do local pagou um motorista para levá-lo à praia de Grumari, na Zona Oeste.
Cleiton começou a trabalhar na cooperativa após dar baixa no Exército
Cleiton começou a trabalhar na cooperativa após dar baixa no Exército Foto: Álbum de família
No meio do trajeto, o bandido teria flagrado o taxista mandando um mensagem, pelo WhatsApp, informando a um amigo que estava indo para Grumari. Por ordem do traficante, já identificado pela DH, o motorista teve que retornar à favela, onde foi amarrado, posto na mala de seu carro e levado a uma sessão de espancamento. Após a interferência de alguns colegas — entre eles Cleiton Felipe — e de sua mãe, o motorista foi liberado e levado ao Hospital estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Os bandidos que participaram do tribunal do tráfico também são alvo do inquérito da especializada.
A DH, agora, investiga se Paulo Henrique Luiz Santos, preso no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, acusado de envolvimento nas mortes, foi alvo de retaliação do tráfico do Chapadão. Apontado por testemunhas como gerente do tráfico na favela Final Feliz, ele deu entrada na unidade na noite de terça-feira, atingido por tiros no braço e abdômen. Inicialmente, afirmou que havia sido vítima de um roubo. Entretanto, testemunhas o reconheceram como o homem que deu o primeiro tiro nos motoristas.
Paulo Henrique Luiz Santos tinha mandado de prisão pendente
Paulo Henrique Luiz Santos tinha mandado de prisão pendente Foto: Reprodução